sábado, 18 de maio de 2013




Balança


            

Quem quer alcança

Quem quer não cansa       

Pois quando a dança

Enche-te de esperança

A vida é mais que existir.



Conheço quem pensa em dança, lembrando-se de par. Conheço quem dança de olhos fechados. Conheço quem conduz muita dança, mas no meu simples passo falhou. O existir contido na vida, me ensinou a criar meus próprios passos no encaixar de pés, no tropeçar de calcanhares. No olhar, o ritmo dos próprios passos, e na evolução de sorrisos marcados por batom vermelho. O espelho me convenceu que o ensaio era suficiente, e que se algo saísse diferente, não faria vergonha.

Agora vai lá e dança criança!
                                                                         Cintya Thaís.

domingo, 5 de maio de 2013



Ghost

Gosto do doce, do singelo, do ambíguo, do amasso, do abraço, do convívio, do toque, do simples, do seco, do forte, do intenso, do silêncio, do suor; gosto do que é meu, e do que ainda será...Gosto do passado, arrumado, engomado, enfeitado, levado, encantado, publicado, arrancado, as vezes escancarado, equilibrado.

Gosto do movimento. O pensamento me ensinou.


Gosto do gosto de gostar.
                                                                    Cintya Thaís.

quarta-feira, 1 de maio de 2013



Rio



O rio que me assustou por anos, é responsável pela manobra que o curso da minha vida fez. Observá-lo me ajudou a agir; entendê-lo é perder parte da inocência.

Quando nascemos, cada um de nós ganhamos um rio, junto com o sopro do divino (a vida); deveria ser um hábito visitarmos, sem perder a essência, e respirar o ar puro sobre suas águas. Cabe a cada um descobrir como e onde encontrá-lo.
                                                                           Cintya Thaís.

terça-feira, 30 de abril de 2013



“Infâncias” sempre são iguais...

“Um menino do grupo dizia que educação vinha do berço e eu me sentia mal-educado. Ele andava devagar, arrastando os pés como se fatigado pela falta do que fazer. Para curar a vida só com muito chá-de-pouco-caso, lamentava pelo meio da casa. Cada quarto, cada sala, cada cômodo, uma página. Ele subia em cadeira, trepava em escada, ajoelhava na mesa. Para cada notícia escolhia um canto. Conversa mais indecente, ele escrevia bem no alto. Era preciso ser grande para ler, ou aproveitar quando não tinha ninguém em casa. Caso de visitas, ele anotava o dia, a hora, o assunto ou falta de assunto. Enquanto ele escrevia, eu inventava histórias sobre cada pedaço da parede. A casa do meu avô foi o meu primeiro livro. Leitura era coisa séria e escrever, mais ainda. Escrever era não apagar nunca mais. O pior é que, depois de ler, ninguém mias esquece se for coisa de interesse. Se não tem interesse, agente perde ou joga fora. Comecei a reparar, e em minha família ninguém falava papai, mamãe, vovó. Só podia ser por preguiça ou medo de carinho. Cada sílaba um carinho, um capricho penetrando pelos olhos até o passado. Eu sabia os poderes do pai, o silêncio do filho, sem conhecer o espírito santo. Fui feito para pensar além do devido-falava eu- apertando os olhos para esquecer, apagar, anular tudo. Depois, a palavra caía no meu ouvido e levava dias para doer. Pensando devagar, acordado madrugada, eu descobria as tantas coisas sabidas, mas não vistas e outras vistas e não sabidas. Doía muito se menino. E dor, aumentada pelo silêncio, é como dente latejando com nervo exposto. Fé, esperança e caridade assistiam ''O direito de nascer'', como única diversão. Usava caximir- buquê e perfumavam a cidade inteira, dizia minha vó, sem inveja, por preferir alfazema, com rótulo de moça no campo e cesta de flores no braço. ''Viver sem esperança é como ter casa sem janela'', escreveu meu avô, com letra miúda, perto da fechadura. Ele não só Via com os olhos.”
...pois não cabem ambições.
Grifei partes importantes de: POR PARTE DE PAI.

sábado, 27 de abril de 2013



Canto esquerdo



 A mesma dor de cinco anos só que madura. Seria eu madura, ou a dor? Sentou no mesmo lugar e evitou pensar como forma de se desculpar por algo que já vinha lutando pra ser pensado; ela pensou!

Talvez seja inevitável lutar contra o pensamento, talvez de lutar contra a própria vontade; ou o hábito de pensar se torne a própria vontade; ela pensou!

Pensou em levantar-se e esquecer o tão pouco que conquistou. Ou seria o pensamento que teria a conquistado? Talvez devesse parar de fantasiar e alimentar aquele pensamento, mas como controla-lo?

Mudou tantas vezes de lugar, e mesmo assim pensava naquele pensamento e seria melhor pensar logo; mas não era qualquer pensamento, era um pensamento de cinco anos; não podia pensar de qualquer maneira. Até que resolveu abraçá-lo e se entregou. Tudo se resolveu depois de um minuto.
                                     
                                                                                                                                         Cintya Thaís.